Sobre a CGY

Yvyrupa é a expressão utilizada em guarani para designar a estrutura que sustenta o mundo terrestre, e para nós seu significado evoca o modo como sempre ocupamos o nosso território de maneira livre antes da chegada dos brancos, quando não existiam as fronteiras (municipais, estaduais e federais) que hoje separam nosso povo.

Em uma grande assembléia, reunindo mais de 300 lideranças políticas e espirituais, realizada em novembro de 2006 na Terra Indígena Peguaoty, no município de Sete Barras/SP, fundamos a “Comissão Nacional de Terras Guarani Yvyrupa”, posteriormente nomeada apenas Comissão Guarani Yvyrupa (CGY).

Logo em seguida, no dia 29 de março de 2007, a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY) formalizaria o início de suas atividades em cerimônia realizada junto à 6ª Câmara do Ministério Publico Federal em Brasília.

Desde então a CGY vem se consolidando como importante protagonista político do movimento indígena nacional, realizando suas assembléias anuais, e garantindo, pouco a pouco, vitórias importantes na longa luta pelo reconhecimento dos direitos territoriais de nosso povo.

Hoje temos escritório móvel localizado na Terra Indígena Tenondé Porã, aldeia Barragem, no município de São Paulo. Na última grande Assembléia da CGY, realizada em abril de 2013 na aldeia Koenju, em São Miguel das Missões/RS, aprovamos o nosso Estatuto, e iniciamos o processo para o registro da organização no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas.

A forma de articulação interna da CGY apóia-se nos modos próprios de organização política guarani, não buscando sobrepujar a autoridade dos caciques e lideranças espirituais e sim fortalecê-los, e por isso não buscamos replicar a lógica do sistema representativo característico da política dos brancos.

Nossa legitimidade advém do fato de que as comunidades guarani encontram nas lideranças que compõem a coordenação da organização importantes mediadores, tradutores e assessores dos caciques e lideranças locais frente aos conflituosos e burocráticos processos de identificação e delimitação das terras indígenas guarani.

Nossa atuação respalda-se no artigo no 232 da Constituição Federal de 1988, que define que “Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo”.

Criamos essa página para divulgar em primeira mão os problemas do nosso povo, que sofre cada vez mais com a falta de terra, vivendo em acampamentos em beira de estrada, em áreas minúsculas devastadas pela ganância dos jurua (brancos) e para buscar apoio daqueles que ainda se preocupam com o futuro da humanidade, que nossos anciãos sabem que chegará ao fim se as coisas continuarem como estão.

Os ataques dos ruralistas no Congresso e a omissão do governo deixam nossa situação cada vez mais difícil e por isso precisamos apelar para um grito de apoio.