Sobre a CGY

A Comissão Guarani Yvyrupa (CGY) é uma organização indígena que congrega coletivos do povo guarani das regiões Sul e Sudeste do Brasil na luta pelo território. O ato de fundação da Comissão  foi uma grande assembleia, ocorrida em 2006, onde estiveram presentes mais de 300 lideranças políticas e espirituais na Aldeia Peguaoty (no Vale do Ribeira/SP). As atividades oficialmente tiveram início em 29 de março de 2007 em cerimônia realizada junto à 6ª Câmara do Ministério Público Federal em Brasília. Desde então, a CGY vem se apoiando nos modos próprios de organização guarani, onde se escuta os anciões e as lideranças para definição das estratégias de ação política na luta por direitos.

A CGY foi construída como um mecanismo de atuação nos processos de demarcação de terras indígenas. Nos respaldamos no artigo 232 da Constituição Federal brasileira de 1988, que define que ‘Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo’. Atualmente, existem mais de 600 ações judiciais em que se disputa a permanência das comunidades em terras nas regiões abrangidas pela CGY.

Em nossa Oitava Assembleia Geral, realizada em maio de 2019, na Terra Indígena Morro dos Cavalos no estado de Santa Catarina, fizeram-se presentes aproximadamente 600 lideranças indígenas guarani de diversas regiões, inclusive de fora do Brasil. Nesse encontro, aprovamos o novo Estatuto e elegemos o atual quadro de coordenadores Guarani, a saber: 17 Coordenadores Regionais, 6 Coordenadores Estaduais, além dos 4 Coordenadores Tenondé.

Atualmente, estamos sediados na aldeia Tenondé Porã/SP, temos um escritório na região central da São Paulo, e contamos com uma equipe intercultural de assessoria. Entendemos que a luta pelo território, para além da incidência nos processos jurídicos, envolve a continuidade das nossas assembleias e articulação de base, as mobilizações para pressionar as instituições do governo jurua pela garantia e manutenção dos nossos direitos, além do fortalecimento da organização das mulheres guarani, a formação de jovens lideranças e comunicadores indígenas e o fortalecimento dos xeramoῖ e xejaryi (os mais velhos que orientam a vida neste mundo).