24 de nov de 2022 | 19:11
Perspectivas guarani sobre impactos de empreendimentos marca encontro em Aracruz (ES)

Encontro realizado pela CGY contribui com a articulação regional em território impactado por mais de 40 empreendimentos

Por Assessoria da CGY

Na última semana, entre os dias 16 e 18 de novembro, foi realizada a primeira assembleia regional da Comissão Guarani Yyvyrupa (CGY) no Espírito Santo, na Aldeia Piraqueaçu, Terra Indígena Tupinkim e Guarani, em Aracruz (ES). O encontro de três dias, sediado no espaço da Escola Municipal de Ensino Fundamental Indígena (EMEFI) Arandu Retxakã, reuniu as lideranças das aldeias locais e coordenadores da CGY regionais, estadual e tenondé, com participação da comunidade escolar e presença da Funai.
O objetivo da iniciativa foi promover a articulação comunitária, compartilhar perspectivas para o enfrentamos de impactos por empreendimentos e fortalecer a atuação da CGY na região.

A programação contou com debates, apresentações, aconselhamentos por anciãos e anciãs, visitas a aldeias para conversa com lideranças e caciques, sendo os dias de trabalho abertos com apresentação de coral com crianças alunos da EMEFI. As visitas foram realizadas para ampliar a articulação das lideranças locais, sendo conduzidas pelo coordenador regional Rodrigo Karai Mirim e pelo coordenador tenondé Timóteo Potygua.

A questão principal enfrentada na região é o impacto de empreendimentos incidentes sobre o território indígena e seu entorno, e que foi o tema central na pauta da reunião, assim como a necessidade de ações para o bem estar das comunidades – que apresentaram com demandas para projetos nas áreas de saúde, educação, assistência social e lazer.

Depois do “tempo do eucalipto”
Atualmente, são 42 empreendimentos, dos quais poucos contam com instrumentos de participação indígena e gerenciamento de questões ambientais de responsabilidade das empresas – como o Plano Básico Ambiental (PBA), uma das condicionantes para as obras obterem licença de instalação. De acordo com as lideranças guarani, embora a Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanhe esses processos, o órgão vem progressivamente reduzindo a sua atuação, como fazia antes: “Hoje parece que a Funai tem medo dos empreendimentos”, avaliou uma liderança que preferiu não se identificar.

Na TI Tupinikim e Guarani há cerca de 6 mil pessoas, em doze aldeias, das quais seis são tekoa guarani. Dez dessas aldeias estão na área da primeira demarcação (“área-mãe”) e duas na Aldeia Ka’aguy Porã/Reserva, retomada recentemente. Os coletivos guarani recuperaram terras anteriormente apossadas por empresas, como a emblemática Aracruz Celulose, que iniciou o “tempo do eucalipto”, quando comunidades foram removidas, a partir da década de 1970. Houve, nessa época, uma aliança entre os povos Tupinikim e Guarani para a demarcação de terras, que hoje é partilhada pelas duas comunidades.